“A escola pública tem-se demonstrado mui eficaz à hora de castelhanizar a nossa sociedade”
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- Categoría: Sociedade
- Publicado o Venres, 13 Abril 2012 09:00
- Escrito por Montse Dopico
Garantir o direito a aprender integralmente em galego a crianças de 2 a 6 anos é o objetivo da Escola de Ensino Galego Semente, um projeto agromado desde o movimento social de defesa do nosso idioma em Compostela. O dia 14 de abril, ás 21:00 horas, a Gentalha do Pichel acolhe uma ceia de apoio a esta iniciativa.
O projeto de criar escolas de ensino em galego já tem tempo. Primeiro tem sido umha ideia surgida do reintegracionismo -que fórom os que primeiro falárom de galescolas-, e depois, umha vez eliminado o projeto das escolas infantis em galego do bipartido, a comissom Galiza co Galego. O vosso projeto surge com esse mesmo sentido, oferecer umha alternativa já que a escola pública nom garante o ensino em galego?
O nosso objetivo é garantir o direito a aprender integralmente em galego a crianças de 2 a 6 anos, que é a faixa etária com a que trabalhamos. Tems razom em que nom é nada novidoso, de facto o nosso nome, 'Escola de Ensino Galego', tomamo-lo emprestado das escolas que as Irmandades da Fala pugérom a andar a começos do século passado na Corunha, e das que fórom impulsores Leandro Carré e Ángelo Casal. A necessidade dum ensino autocentrado e no nosso idioma sempre estivo ai, e todas essas iniciativas que comentas fazem parte da mesma vontade de nos dotar dumha escola na que os nossos nenos e nenas nom acabem por desertar da nossa língua e cultura.
A Semente nasce dum movimento social, -o criado arredor da Gentalha do Pichel-, e nom dumha empresa privada. De que jeito funcionárom as sinergias con esse movimento social para a criaçom da escola?
Basicamente em termos de financiamento, publicidade e ajuda na remodelaçom do local. O mais importante disto é que, como comentavas anteriormente, nom somos umha iniciativa privada, mas comunitária. Nascemos da necessidade que tem umha comunidade linguística de assegurar que as suas crianças podam aprender na sua língua. Isso significa que nom existe ánimo de lucro na Semente, e que todo o benefício económico que se obtiver se reinvestirá no projecto.
Contades com um espaço mui amplo, com um amplo jardim ao pé do Sarela. A relaçom com o meio é um dos piares do vosso projeto. Como se reflete isto na atividade da Semente?
Contamos com mais de 100 metros quadrados de instalaçons interiores e 300 de exteriores. Nestes últimos temos um areeiro de 3 x 4 metros, umha zona ajardinada com plantas aromáticas, um espaço amplo com árvores fruteiras, umha horta e um galinheiro, com duas pitas e um galo. Para nós é vital este espaço, e procuramos muito até encontrá-lo, porque cremos que a interaçom das nenas e nenos com a natureza é imprescindível na sua educaçom. Por explicá-lo mediante um exemplo, a horta e as galinhas som umha responsabilidade que as crianças asumírom, e que nos permite trabalhar mediante rotinas ao começo da manhá. Desta maneira trabalhamos transversalmente distintos aspetos do curriculum. Nesta aprendizagem o papel da criança é plenamente ativo. Na horta, por exemplo, estamos em época de plantaçom, e as tomateiras que plantamos há um mês começarám a florear e posteriormente a dar frutos. Neste processo no que a nena ou o neno intervém de distintas maneiras (regando, recolhendo o fruto) trabalhamos, por exemplo, a motricidade de precisom, as estaçons, os ciclos naturais... E para além de todo isso, é um prazer poder aprender ao ar livre!
Em relaçom com o anterior, nom é a Semente só um projeto educativo em galego. Do ponto de vista pedagógico, o respeito pola autoregulaçom das crianças, o assemblearismo (com a participaçom das famílias), o laicismo ou a igualdade de género som alguns dos alicerces. Podedes explicar os pontos fundamentais desse projeto pedagógico?
Sempre tivemos claro que queríamos umha escola pedagogicamente avançada, com umha pedagogia que nos permita educar pessoas críticas e com capacidade para analisar a realidade que lhes rodeia, e também modificá-la. Para isto, a nossa experiência pedagógica nom segue um manual, mas é construída com aspetos que nos parecem interessantes de distintas correntes e que nós integramos num modelo próprio coerente adaptado à nossa realidade. Desde esse ponto de vista, a coeducaçom implica o nosso compromisso de rejeitar os roles socialmente associados ao género. Na Semente cozinhamos todas e todos e jogamos com camions todas e todos, quando quigermos. O assemblearismo significa que a criança deve ser protagonista da sua aprendizagem, e é o alunado quem decide, com o professorado, a atividade a realizar. Pais e mães som também mui importantes para a nossa escola, e nas reunions mensais com elas tentamos estabelecer umha relaçom entre escola e família que favoreça o pleno desenvolvimento da criança. A nossa aposta no laicismo implica a ausência na escola de qualquer propaganda, imposiçom ou adoutrinamento religioso.
A integraçom no bairro e na cidade é outro dos objetivos. De que jeito se trabalha?
O projeto que estamos a trabalhar neste momento é precisamente "O nosso bairro". Pedagogicamente é importante, por pretendermos umha aprendizagem significativa, trabalhar desde conceitos conhecidos e ideia prévias anteriores através das que irmos ampliando o nosso esquema conceptual. Até agora visitamos um restaurante e o Museu de História Natural. E esta semana fomos visitar umha imprensa. Vimos ‘in situ’ o processo de fabricaçom dum livro, desde a impressom ao desenho da capa e a sua encadernaçom. O nosso objetivo é duplo: dar a conhecer a escola no bairro e estabelecer vínculos com a vizinhança, e por outra parte que as crianças conheçam o seu entorno, os distintos ofícios presentes em Vista Alegre, que para a nossa sorte som muitos.
Do 15 de março ao 30 de abril está aberto o prazo de pré-inscriçom. A escola admite crianças de 2 a 6 anos. Que horários tem a Semente, e quais som os preços?
Recebemos visitas todas as quintas feiras (xoves) entre as 4 e as 8 da tarde, para todas as pessoas que tenham umha filha ou um filho em idade e que queiram conhecer as nossas instalaçons e o nosso professorado. A escola abre das 8h30 da manhá às 3h30 da tarde e de 4 a 8 da tarde abrimos como ludoteca. Disponhedes de mais informaçons sobre as nossas atividades e preços na nossa página web.
A Semente organiza atividades: um acampamento sobre o circo, nom há muito um concerto com alguns dos principais grupos musicais galegos... como é o dia a dia da Semente? Que atividades acolhe?
Agora na primavera a ludoteca organizou um acampamento de temática circense. Nele disfarçamo-nos, figemos malabares, equilíbrios, maquilhamo-nos... Nos períodos de férias a ludoteca aproveita para fazer este tipo de acampamentos temáticos, que estám a ter muito êxito. Já temos organizado um acampamento de inverno e outro de entruido, além deste último.
Está garantida, por outra banda, a atençom personalizada ao alunado. De que jeito se torna isto possível? Quantas crianças poderiam estar matriculadas à vez na Semente, como máximo? Com que tipo de formaçom específica conta o pessoal da Semente?
O rátio máximo de professor-alunado é de 12, mui por baixo do que é habitual noutras escolas, polo que garantimos umha atençom mui específica. As pessoas trabalhadoras da Semente somos ambas pedagogas, licenciadas em magistério e animadoras socioculturais, além de outra formaçom complementar e experiência. De todas maneiras, para conhecer-nos melhor, o ideal é acudir às visitas guiadas e falarmos em pessoa.
Qualquer projeto como o vosso suscita, às vezes, dúvidas por tratar-se dumha iniciativa privada. De que jeito a Semente trabalha para garantir que serve os interesses populares? Que responderíades às críticas possíveis neste sentido, das pessoas que preferem nom enviar aos filhos a umha escola privada?
Como che comentei, nós nom somos umha escola privada. Há gente que no-lo diz, mas nós sempre respostamos com umha pergunta: som as escolas do Movimento Sem Terra no Brasil privadas? E as fábricas ocupadas na Argentina? O Centro Social O Pichel em Compostela, é privado? Para nós nom, som iniciativas comunitárias, e nelas, como na Semente, nom existe lucro. Como di um mui bom amigo da Semente, a nossa escola quer ser pública, mas nom a qualquer preço, porque a escola pública tem-se demonstrado mui eficaz à hora de castelhanizar a nossa sociedade, especialmente nas cidades. Às pessoas que preferem nom enviar às suas crianças à Semente por preferirem enviá-las à publica, dizemos-lhe que respeitamos absolutamente a sua decisom, e também as convidamos para que nos venham conhecer mais de perto, pois se calhar querem utilizar outros serviços que oferecemos, como a ludoteca, ou participar noutras atividades extraescolares.
Pensades organizar algum tipo de colaboraçom com outras escolas privadas -poucas- que funcionam (Raiola) e funcionarám (as de Galiza co Galego) em galego na cidade? E ampliar o vosso projeto para acolher nenos/as mais pequenos e mais grandes? Que pode distinguir o vosso projeto dos outros? (A questom do reintegracionismo lingüístico pode ser umha das diferenças).
Galiza co Galego tem-nos enviado umha carta para conhecer o nosso projeto e estabelecer vias de colaboraçom, que ainda nom respostamos por falta de tempo, mas que o faremos em breve. Por suposto que estamos abertas a estabelecer laços entre iniciativas educativas em galego, bem sejam Galiza co Galego ou outras. Sobre crescermos, o tempo dirá, mas a nossa ideia é fazê-lo. Seria o ideal termos umha linha educativa completa. Por agora fica mui longe, mas a única maneira de lográ-lo é trabalhando, e nisso estamos. Como comentas, nom há muitas escolas em galego que estejam a funcionar em Compostela. O que nos distingue de outras é o aspeto da laicidade, e o facto de termos umha visom linguística reintegracionista. Em realidade, este último aspeto nom é especialmente relevante na etapa infantil, pois a lecto-escritura aborda-se em primária. Nós entendemos o galego como umha língua com muitas variantes, e tentamos que as crianças as conheçam e se familiarizem com formas de falar de outros países, o que nos permite também trabalhar outros aspetos como o cultural ou o musical. Sobre a normativa, a nossa visom também é aberta, e as crianças da Semente estám familiarizadas com as distintas normativas nas que se escreve o galego.
Foto: A Semente



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